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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Politicamente correto?

Essa história de ‘politicamente correto’ está ficando muito chata! E sabe por que? Porque as pessoas estão intolerantes; perderam o humor e a capacidade de distinguir uma brincadeiro de uma ofensa. E por conta disso alguns se acham no direito de tentar proibir o que os incomoda.
O caso mais recente vem do Conar. O órgão, que regula a veiculação de propagandas, abriu um processo contra a Nissan e pode tirar o filme ‘Pôneis Malditos’ do ar (na TV e na Internet). A origem do processo está na associação dos pôneis, classificados como ícones infantis, com a palavra malditos! Foram perto de 30 reclamações! E, por conta delas, o comercial, acessado por mais de 3,5 milhões de pessoas no Youtube, está na berlinda! É demais! É muita falta de humor. É censura! É ditadura de uma minoria que acha que pode ‘regular’ o pensamento geral baseada em suas crenças e preconceitos individuais. E o que é pior, essa gente se acha ‘politicamente correta’! Chega!
O politicamente correto deveria ser apenas o que é: uma opção de comportamento baseada em respeito incondicional ao próximo. Mas, por conta dessas ‘patrulhas’ está virando uma ditadura de minorias e ultrapassando a linha do bom senso.
Hoje em dia ser politicamente correto é quase uma exigencia, e das mais radicais. Exigência que está restringindo o humor, provocando autocensura, acabando com a criatividade e gerando um policiamento de idéias bem pouco saudável.
Não se pode mais usar palavras que transmitam qualquer tipo de preconceito ou discriminação; não se pode brincar com as diferenças; não se pode fazer piada de nada. Quem se atrever que se prepare porque vem chumbo grosso! Com certeza será taxado de preconceituoso, discriminador, intolerante, etc. E aí é que cabe a pergunta: rotular o outro baseado apenas em uma brincadeira bem humorada é politicamente correto?
Afinal, ser politicamente correto é respeitar toda e qualquer pessoa como aquilo que essencialmente ela é: um ser humano único e íntegro, idependente de sexo, raça, cor, posição social, profissional, ou opção sexual, política e religiosa. É tratar o outro como gostaríamos de ser tratados. Simples assim!
Preconceito, seja qual for, é injustificável. Mas, não são só palavras ou expressões que geram discriminação; muitas vezes é a atitude que demonstra isso. Um olhar ou um gesto pode ser muito mais preconceituoso e excludente do que mil palavras.
Só que, em nome de minorias tidas como excluídas, formou-se um exército de patrulheiros que anda atirando para todos os lados, provocando distorções e tentando acabar com um bem pra lá de precioso: a liberdade de expressão.
Dizer, por exemplo, ‘hoje eu ajudei um ceguinho a atravessar a rua’, não pode. Utilizar a palavra ‘cego’ é discrimiação preconceituosa. Se fizer isso, será taxado de politicamente ‘incorreto’, independente da atitude solidária. O ‘correto’ é dizer deficiente visual, mesmo se você deixar de ajudá-lo a atravessar a rua.
O ‘patrulhamento’ é tão ferrenho que nem os clássicos infanto-juvenis de Monteiro Lobato escaparam. Identificaram em seus livros, especialmente em ‘As Caçadas de Pedrinho’, ‘referências racistas’. Até personagens do folclore nacional estão sendo enquadrados. O ‘Saci Pererê’ é um deles. Coitadinho, além de negro, é perneta e, pecado maior: fuma cachimbo. Não pode! Tem que ser remodelado; ganhar uma perna, de madeira que seja, e – é claro – abolir o nefasto pito. Depois dele, provavelmente o próximo alvo será o ‘Negrinho do Pastoreio’, cujo nome ‘politicamente correto’ deveria ser ‘O pequeno afro-descendente do Pastoreio’.
Se continuar nessa balada, logo mais o clássico infantil ‘Branca de Neve e os 7 anões’ passará a se chamar ‘Branca de Neve e os 7 homens de pequena estatura.’ Ah, e o Cebolinha que se cuide porque se continuar chamando a Mônica de ‘dentuça’ pode ser punido por bullying!
O que acontece é que estão levando tudo muito ao pé da letra sem diferenciar o humor da agressão. Quando se tem de pensar duas vezes antes de fazer uma brincadeira ou emitir uma opinião a espontaneidade criativa vai embora e tudo fica muito chato.

Um comentário:

  1. Concordo com a chatice e a falta de discernimento que impera atualmente. Os patrulheiros de plantão passaram das medidas. Acham-se donos da razão e no dever de policiar o mundo. É detestável essa prática, que mais se parece com o fascismo do que com democracia. Agem por impulso e os "cretinos fundamentais" (como diria Nelson Rodrgues), por osmose. EU NÃO AGUENTO MAIS TB TANTA PATRULHA E IGNORÂNCIA !!!

    Abs aos democratas e a quem defende o livre pensar.
    Nelson Tucci - jornalista

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