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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Me rendi ao samba...

Eu nasci no ano em que Bill Halley lançou ‘Rock around the clock’ e deu início a uma revolução que mudou o cenário musical mundial.
Cresci ouvindo Beatles e Rolling Stones e curtindo o iê iê iê da Jovem Guarda naquelas tardes do domingo.
Mais tarde vivi a ilusão da possibilidade de um mundo mais justo, harmonioso e sem guerras sob o lema ‘Paz e Amor’, propagado pelo movimento hippie e embalado pelos solos da guitarra de Jimi Hendrix, a voz inconfundível de Janis Joplin, o som lisérgico do Yes, e viagens sonoras do Pink Floyd... Só para citar alguns, porque a lista é imensa.
Na trilha sonora que foi marcando cada fase da minha vida, houve espaço para o Tropicalismo de Caetano, Gil, Gal e Bethania, pra um punhado de músicas do Chico e outro tanto das do Milton e sua turma do Clube da Esquina, um pouco de bossa nova e muita coisa do Toquinho e Vinicius...
Samba?... Não, nunca me identifiquei com o ritmo. Não sou da batucada... nem da carnavalesca. Nos tempos em que eu curtia a Folia de Momo, preferia as marchinhas de ‘antigamente’...
Samba?... Nunca fez a minha cabeça... A exceção – e sempre tem! – são as músicas de Adoniran Barbosa... Essas eu gosto e sei cantar! No mais... não conheço quase nada!
Como diz a letra ‘quem não gosta de samba é ruim da cabeça ou doente do pé’... Minha cabeça não é tão ruim assim... então, sou doente do pé, mesmo. Não só do pé... das ‘cadeiras’ também. Sincronizar o vai e vem das pernas, com um remelexo de quadril, ombros e braços é demais pra mim... Não ‘rola’... Sou ‘dura’, não tenho ginga! Sabe aquela imagem de gringo sambando desengonçado? Então... eu sou um pouco pior... Talvez por isso o samba não faz parte do meu cardápio musical.
Mas,... já repararam que tem sempre um mas!... Um dia desses, passeando pelo Facebook, me deparei com um vídeo compartilhado pelo Arnaldo Duran. Curiosa, cliquei; era um samba e... eu me encantei. Revi várias vezes. Fui fisgada! Pela música, pela qualidade dos músicos e, principalmente pela interpretação impecável do cantor... que cadencia, que ritmo, que balanço, que expressão!!!!
Só que eu nem fazia idéia de quem se tratava... Declarei minha ignorância na rede e quase que instantaneamente começaram a chegar as informações.
É o Germano Mathias, sambista ‘das antigas’, nascido em São Paulo; quem o acompanha é o quinteto Preto e Branco, além de Luizinho 7 Cordas no violão, Raul de Souza no trombone e Guilherme Vergueiro no piano... A música, ou melhor as músicas, ‘Guarde a sandália dela e História de um valente’. Um show!
Show que, descobri depois, é parte do documentário ‘Ginga no Asfalto’, lançado em 2007. No DVD, além de cantar, Germano fala de sua vida e obra. Uma aula para aprendizes, como eu...
Me rendi ao samba do Germano... Não virei sambista... estou longe disso. Mas, vira e mexe me pego cantarolando...’guarde a sandália dela que o samba sem ela não pode ficar...’ Que maravilha!
Quer conferir o que me fascinou? Então experimente o link abaixo e depois me conta.
http://www.youtube.com/watch?v=87CYO_rfOhY

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Até quando seremos passivos?

Em seu artigo 196, a Constituição do Brasil garante: ‘A saúde é um direito de todos e um dever do Estado’.
Lindo! No papel, porque a realidade é bem outra.
Pagamos impostos altíssimos (é só dar uma olhada no ‘Impostômetro’ e constatar os contínuos recordes de arrecadação) e o que recebemos em troca? Desrespeito (à Constituição) e descaso (com o cidadão cumpridor dos seus deveres).
Quem depende do SUS espera meses, às vezes até mais de ano, para conseguir consultar um especialista, realizar um exame um pouco mais complexo ou uma cirurgia que não requer urgência mas que, com certeza, melhoraria – e muito – a qualidade de vida.
Quem pode, contrata plano ou seguro de saúde particular e paga mensalidades absurdas para garantir o que o lhe seria de direito: acesso a atendimento e tratamento médico.
Mas, mesmo nesses casos, às vezes não dá para escapar dessa rede de desumanidade que caracteriza a saúde pública brasileira. É o caso de pacientes que fazem uso dos chamados medicamentos de alto custo e que dependem do fornecimento do Estado (leia-se Ministério da Saúde). São portadores de doenças degenerativas, como Esclerose Múltipla, Alzheimer, entre outras; doenças reumáticas, transplantados, pacientes com câncer, cardíacos e outros males que eu nem conheço.
Esses medicamentos não estão à venda no varejo, têm preços proibitivos (o de Esclerose Múltipla, por exemplo, custa perto de R$ 6.000,00 a caixa com 15 injeções, suficientes para um mês de tratamento!) e garantem a sobrevivência com um mínimo de qualidade de vida.
Pois boa parte desses ‘remédios’ está em falta em São Paulo; pela segunda vez, em pouco mais de três meses! Fato que se repete desde que entrou em vigor uma resolução assinada pelo então ministro José Gomes Temporão (resolução/portaria GM/MS nº 2.981) que centralizou a compra no Ministério da Saúde para posterior repasse aos Estados. Até então, quando a compra era realizada pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, o fornecimento era regular. Agora, só Deus sabe!
Além de ter que conviver com doenças assustadoras, algumas incuráveis e que projetam um futuro de incertezas, esses pacientes têm tolhido o seu direito à uma vida digna e, na medida do possível, produtiva. Porque a interrupção forçada e contínua do tratamento tem um custo. Mas quem se importa?... Perdem-se avanços conquistados a duras penas. Mas quem se importa?... Anos de tratamento são ‘jogados no lixo’... Mas quem se importa?...
Escrevo sobre o assunto com conhecimento de causa. Alguém muito próximo tem Esclerose Múltipla e há três anos se submete ao tratamento com Betainterferona. São as injeções, aplicadas em dias alternados, que garantem o controle da doença, impedindo seu avanço devastador, que provoca paralisia, cega, mata!
Em outubro último, houve interrupção forçada no tratamento, devido à falta da medicação. Foram 25 dias de angústia e medo. Por muito pouco não tivemos que ‘começar do zero’..., sem falar do risco de um novo surto da doença e as conseqüentes seqüelas irreversíveis.
E a situação se repete neste mês de fevereiro: faltam medicamentos, vários, conforme constatei pessoalmente na última quarta-feira! ... E o que é pior, não há previsão de regularização no fornecimento. Os pacientes?... Ora os pacientes!... Quem se importa.
Na verdade, trata-se de negligencia e irresponsabilidade de quem deveria zelar pelo bem estar do cidadão: o Estado, seja de que esfera for!
Mas, como nos sentimos impotentes diante da situação, nos conformamos e não fazemos nada, ou quase nada, de efetivo para reverter esse quadro. Registrar reclamação em ouvidorias públicas ou enviar emails para espaços dos leitores de jornais e revistas não resolvem mais. As respostas oficiais são sempre evasivas e os problemas se repetem.
E esse é só um exemplo do descaso com que nós somos tratados pelas autoridades constituídas.
Aos que se sentem lesados só resta a união, a consciência coletiva de que temos direitos garantidos pela Constituição e que eles devem ser respeitados, nem que para isso seja necessário acionar a Justiça. Porque, se queremos realmente um país mais justo, é preciso acordar e exercer plenamente nossa cidadania. Tomar as rédeas e reivindicar o que nos é de direito. A nossa parte nos cumprimos, então porque a outra não cumpre a dela?

P.S.: finalmente, no dia 10 de fevereiro o medicamento para Esclerose Múltipla estava disponível para a retirada mensal na Farmácia de Alto Custo da Várzea do Carmo, em São Paulo, capital. Se houve regularização na entrega de outros remédios eu não sei. Só espero que as autoridades responsáveis cumpram com o seu dever e a falta de medicamentos não vire rotina.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Embarque no próximo trem...

Embarque no próximo trem...

É impressionante como somos negligentes com o tempo.
Basta alguém dar o alerta: ‘nossa há quanto tempo!’... e pronto! Paramos, contamos dias, meses, anos e damos de cara com a realidade!!! O tempo passou, rápido demais!
E o pior ainda está por vir...
Ao remexer o baú das lembranças percebemos quanta coisa ficou para trás. Sem saber muito bem como, muito menos entender por que. Simplesmente foram ficando pelo caminho. É uma contabilidade cruel...
A gente pisca e lá se foram 5, 10, 20..., até mais, anos. Uma existência. Os bebezinhos que embalamos, cresceram. São pais, mães, profissionais bem sucedidos, donos de seus destinos... e a gente nem se deu conta.
Isso sem falar dos amigos queridos. Aqueles com os quais um dia compartilhamos segredos, sonhos, aventuras, emoções, brincadeiras inconseqüentes e até algumas irresponsabilidades, e que perdemos de vista, apesar de guardados num cantinho empoeirado da memória.
Em meio a esse balanço emocional, onde lucros e prejuízos se enroscam, surgem aquelas velhas desculpas, as esfarrapadas: ‘Foi a vida que nos separou’... ‘Tomamos rumos diferentes’... ‘Mudamos de cidade, de Estado, de país’... ‘Casamos, descasamos’... ‘Temos interesses diferentes’...
Desculpas, só isso.
Na verdade, vivemos correndo atrás de minutos e nem sentimos que, não só as horas, mas, com elas, os anos passam rápidos demais. Permanecemos paralisados por uma teia poderosa tecida pelos chamados compromissos inadiáveis... e o que é realmente importante acaba ficando para trás.
Perdemos tempo demais projetando o futuro e, quase sempre, esquecemos de viver o presente... Pense em quantas vezes, nos últimos tempos, você não planejou fazer alguma coisa, nem que seja um café com um amigo pra colocar o papo em dia, dar risada, falar dos outros, descontrair,... e ficou só nos planos porque ‘as urgências do momento’ impediram?... Mas, o que pode haver de mais importante do que ‘perder um tempo’ com o que lhe dá prazer?
Trata-se de uma escolha. Ser protagonista, entrar em cena e correr os riscos do improviso num espetáculo não ensaiado; ou se portar como um espectador passivo e ver a vida desfilar no palco mais próximo.
Bem disse John Lennon: ‘a vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos’.
Pois é! Projetar o futuro, ter objetivos claros, traçar metas realistas, visualizar o que se quer, é importante. Mas, nesse planejamento tem que caber os pequenos prazeres... Aqueles que nos enchem de emoção, alimentam a alma e renovam as energias. Afinal, estamos nesse mundo para ser feliz. E isso é o que mais importa... O resto... a gente sempre dá um jeito. Por isso, não seja negligente com o tempo. Ele é implacável! Vai e não volta mais...
Agora, se você perdeu o primeiro trem, não lamente. Apenas se prepare para embarcar no próximo, que já desponta ali na curva. E, boa viagem!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Eu amo São Paulo

Hoje, 25 de Janeiro, São Paulo completa 457 anos.
Resistente, a cidade que é chamada por muitos de ‘selva de pedras’ precisa apenas de um olhar mais atento para que se perceba que por trás da dureza aparente há uma beleza delicada que é só sua.
Ruas, alamedas e avenidas exibem mais do que asfalto e concreto. Ostentam árvores imponentes e de incontáveis espécies. As antigas e raras, as que pintam a paisagem com suas flores coloridas, outras que apenas oferecem sombra e abrigo, e aquelas que alimentam com seus frutos bandos de sabiás, maritacas, andorinhas, bem-te-vis e outras muitas dezenas de pássaros.
Pássaros cujo canto forte ainda consegue se sobrepor ao barulho ensurdecedor de motores acelerados, buzinas, zumbidos, falas, gritos...
A arquitetura arrojada ergue edifícios cada vez mais altos, modernos, inteligentes..., obras de arte contemporâneas que se misturam harmoniosamente a prédios históricos, com muito charme.
Isso é São Paulo... terra de contrastes, que não esconde as suas mazelas e que, do seu jeito, segue sempre em frente. Não para... Se movimenta a passos largos, na cadência de mais de 10 milhões de pessoas... Um mar de gente que se esparrama, como ondas, enchendo de vida ruas, praças, parques, avenidas.
Gente... muita gente, de todos os cantos do Brasil e do Mundo. Gente que fez e faz de São Paulo o que ela é: um mix de sotaques, costumes, culturas. Uma mistura exótica que forma o estilo de ser e viver da cidade.
São Paulo é terra de oportunidades, de trabalho, de esperança, sonho,... de desafios.
Pródiga pra uns, dura, muito dura, com outros...
Cidade grande... que atrai, ilude, assusta, surpreende, deslumbra... frustra.
Metrópole cosmopolita que não para, não dorme... São Paulo é única.
À primeira vista é frenética demais, agitada demais, confusa demais... Caótica, desenfreada, enlouquecida! Feia pra uns, linda para muitos. É rica, histórica, moderna, intelectual, esportiva, alegre, séria. Uma cidade viva, extrovertida, carrancuda, sentimental, romântica... Depende da disposição de quem a olha.
É paulista, italiana, japonesa, judaica, portuguesa, espanhola, árabe, latina, mineira, nordestina, brasileira... É acolhedora.
É terra de toda gente, terra de todos nós.
São Paulo é grandiosa em números, índices, valores. Mas, sua grandiosidade aparece mesmo é no tamanho do seu coração e na generosidade de seu povo.
Eu amo São Paulo. E você?

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Vou fazer brigadeiros

Hoje li o desabafo de um ex-publicitário, o Thiago, no blog do Publicijobs (procurem em http://publicijobs.blogspot.com e leiam). Ele relata sua desilusão com a profissão que escolheu.
Eu faço coro... Minha área também é das ‘comunicações’, jornalismo, e sinto o mesmo que ele.
A falta de criatividade, de cultura, de conhecimento, de talento é tanta que transparece na mediocridade da mídia em geral.
Estão nivelando por baixo... Especialmente no que se refere à remuneração.
Fico abismada quando leio um anúncio da vaga, vejo as ‘exigências’, a carga horária (normalmente horário comercial – das 9h às 19h com uma hora de almoço) e... o salário oferecido! É piada... Tem gente contratando por salário de 800, 1.000, 1.500... Isso para ‘autônomo’ ou PJ, sem benefício nenhum!!!
Não saio da minha casa por isso. Sei o valor do meu trabalho, do meu conhecimento, da minha experiência... É a desvalorização total da profissão e dos profissionais...
Diante do fato não é de se estranhar o baixo nível geral da imprensa – escrita, falada e televisiva...
Um exemplo: dia desses, passando por uma dessas News da TV a cabo (não lembro se Band ou Record) ouvi a seguinte ‘pérola’ de uma repórter:
‘... houve manifestação das vítimas fatais’!!!!!!!!!!! (onde? No céu?)...
E por aí vai...É a ‘marcha da mediocridade em curso’, como diz o Roberto Navarro!
Por essas e outras, sem trabalho na minha área eu decidi: vou fazer brigadeiros.
O doce, com gosto de infância, crocante por fora e super cremoso por dentro é minha especialidade culinária. Uma das únicas, uma vez que cozinha e fogão não são o meu forte! E é com esse docinho que derrete na boca, tem sabor de festa e remete aos tempos em que um futuro ensolarado, brilhante e feliz era tudo o que nos esperava, que eu vou ‘ganhar’ a vida, pelo menos nesse momento.
Às ‘escritas’, minha paixão, vou reservar esse espaço. Um espaço meu, sem censura, sem necessidade de permissões ou aprovações; um espaço livre para exercitar a criatividade, coordenar idéias, passar experiência e escrever sobre o que eu bem entender.
No resto do tempo, vou me dedicar às bolinhas de leite condensado e chocolate, lindamente depositadas em forminhas de papel. Um deleite!
Vou fazer brigadeiros... E a partir de agora, aceito encomendas de quem queira embarcar numa viagem de volta à infância, mesmo que momentânea.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Reflexões...

Outro dia, em um relato do Diário de Bordo do Projeto Mar Sem Fim na Antártica, meu amigo João conta que abortou o início da viagem de volta (leiam é interessantíssimo). Em um momento de incerteza, provocado por mudanças meteorológicas, ele não teve dúvida: recuou. Voltou para um porto seguro à espera de tempos mais favoráveis para seguir em segurança.
Fiquei pensando nisso e em como é possível aplicar esse aprendizado nas decisões que somos obrigados a tomar no dia a dia... Tá certo que os fatos que se apresentam e exigem uma decisão rápida e objetiva nem sempre são tão claros, mas a atitude é a mesma.
Quantas vezes não insistimos em seguir em frente, quando o mais sensato seria recuar, dar um tempo? Mas não... nos camuflamos com coragem e percorremos o caminho traçado, com bravura!... E aí, quando quebramos a cara nos primeiros quilômetros da caminhada, culpamos a ‘falta de sorte’... Se tivéssemos ouvido a nossa intuição... Mas, não, voltar atrás, ter medos e receios, assumir insegurança e incertezas é para fracos...
Na verdade, o que acontece é que nos cobramos e somos cobrados demais! “Temos’ que ter objetivos, ‘temos’ que traçar metas, ‘temos’ que nos destacar, fazer e acontecer... E o que queremos, o que sentimos onde fica?
Nessa ânsia da conquista, nos perdemos do nosso querer... Traçamos um caminho e vamos embora, enfrentando o que vier; afinal, só os fortes encontram seu lugar ao sol, não é assim que funciona?... Não deveria, mas é! Não importa o preço, o que interessa é seguir sempre em frente, mesmo se não se aviste um horizonte colorido lá adiante.
Isso é burrice... Precisamos de objetivos na vida, sim... Precisamos escolher um caminho para alcançá-los, sim... Precisamos determinar rotas e metas, sim... Mas não devemos nos esquecer que, às vezes, é preciso recuar para, mais tarde, seguir em com segurança... Esse tipo de atitude passa longe da covardia; ao contrário, só quem tem coragem é capaz de tomá-la...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Tem cada uma...

Eu ainda estou pasma... estarrecida... chapada!
Quando eu penso que nada mais no comportamento humano pode me surpreender eis que chega aos meus ouvidos um fato ocorrido aqui no prédio onde moro...
É inacreditável, inconcebível, inimaginável e mais todos os ‘in’ que se conhece... mas aconteceu.
Foi assim...
Como acontece há vários anos, em dezembro, uma caixinha toda enfeitada com bolinhas e laços natalinos foi deixada na portaria à disposição dos moradores que quisessem ‘colaborar’ com um dinheirinho extra para os funcionários.
Antes do Natal, a síndica reúne dois dos quatro funcionários, abre o lacre, conta o dinheiro, divide e distribui. Depois, a caixa é lacrada mais uma vez e volta para a portaria à espera das contribuições de última hora...
Até aí, tudo corria a contento... a surpresa veio mesmo no apagar de 2009.
Era a tarde do dia 31. Cumprindo o ritual na presença de dois ansiosos funcionários, a síndica rompeu o lacre e.... tchan... tchan... tchan... Estava depositado lá míseros R$ 1,15...
Isso mesmo... Um real e 15 centavos!!!!
Após o choque inicial e diante da decepção chorosa dos funcionários, a síndica se deu ao trabalho de checar com alguns moradores quem havia contribuído e com quanto... E aí veio a surpresa: a caixinha de Ano Novo recebera depósitos que totalizavam R$ 210,00... ou melhor R$ 211,15 (apesar de ninguém assumir os R$ 1,15)...
Conclusão: assaltaram a caixinha dos funcionários... e foi alguém habilidoso porque o lacre estava intato...
Penalizada diante da frustração dos funcionários, a síndica providenciou e distribuiu o valor estimado... Um dinheiro que deveria ter proporcionado euforia e que reforçaria a festa de entrada de um novo ano, mas que deixou mesmo foi um gosto amargo de decepção... Uma vergonha proporcionada por alguém que – o que é pior - não se sabe quem é! Há suspeitas, mas não há provas... E paira um clima estranho no ar...
Agora, cá entre nós... outro fato que merece registro são as moedinhas... Que fim de mundo ‘contribuir’ com a caixinha dos funcionários depositando R$ 1,15! É muita falta de respeito, não é não?
Enfim... assim caminha a ‘desumanidade’...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Um convite à emoção

Hoje acordei muito cedo, com vontade de viajar. De sair da rotina massacrante e me aventurar por paragens desconhecidas. Não é possível, pelo menos no momento. Então decidi pegar carona na aventura alheia. Fui visitar a página do ‘Projeto Mar Sem Fim’, do meu amigo João. Desde que ele começou a postar seu diário de bordo da viagem à Antártica, eu acompanho... e viajo junto.
O texto do João tem esse poder. É descritivo na medida exata para levar o leitor a visualizar cada uma das paisagens que desfilam em sua narração e a sentir as diferentes emoções que transbordam em cada parágrafo. Euforia, deslumbramento, um pouco de irritação e, às vezes, até uma ponta de medo.
Eu me transporto... embarco e vivencio cada momento. ‘Ouço’ o vento, as ondas batendo forte no casco, a algazarra das aves, a respiração das baleias... ‘Vejo’ os lugares, os mais longínquos e inimagináveis...
Hoje, sabadão com tempo ainda indefinido, meio nublado com o sol querendo sair, me deliciei com a passagem pelas Ilhas Argentinas. Em um trecho, João conta que a paisagem é tão inusitada e deslumbrante que fica difícil saber para onde olhar. E que, nessa época do ano, não há noite por lá... Depois veio Cuverville Islands até chegar à ilha Trinity... O Mar Sem Fim seguia a sua rota, e eu fui junto...
É uma viagem de aventura, que emociona e deixa uma sensação gostosa e duradoura. Mal posso esperar pelos documentários que serão exibidos pela Band (espero que em horário decente porque o material deve ser de arrepiar).
Me revigorei... a rotina não incomoda mais, fiz minha viagem imaginária e, no momento, me basta.
Faça o mesmo... Viaje através de um excelente texto, recheado de informação e, especialmente emoção. Visite o site do Mar Sem Fim e embarque nessa aventura. Garanto que vale a pena.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Uma nova década...

Estamos em 2010... Um novo ano, uma nova década...
Década que começa marcada pela fúria da mãe Natureza... Fúria compreensível! Há tempos ela vem nos mandando recados, pedindo silenciosamente um pouco mais de cuidado com suas crias. E nós, humanos, do alto de nossa arrogância racional, ignoramos, deixamos para lá os avisos achando que somos mais ‘poderosos’ do que ela...
Aí, quando ela mostra sua face mais sombria, lamentamos... E, atônitos, corremos em busca das desculpas de sempre. E os clichês se repetem. Assumir a responsabilidade, ninguém quer... E cada um de nós carrega um pouco dessa responsabilidade. O que varia é tamanho da carga. Mas a culpa é coletiva, sem exceção.
É uma questão de consciência individual. De respeito, de cidadania... É possível amenizar a situação mudando atitudes rotineiras. São coisas pequenas, simples como o desligar uma lâmpada quando a luz natural ainda brilha forte; trocar o carro por uma caminhada até a padaria, a farmácia, o supermercado, a praia... optar pelo transporte público sempre que possível; não vou sugerir aqui a troca efetiva porque conheço bem os ‘problemas’ dos ônibus, trens e metrô – são lotados demais, caros demais (na capital paulista uma passagem de ônibus custa R$ 2,70!!!!!), sujos, desconfortáveis, demorados, incertos, etc... Mas, dá pra deixar o carro na garagem de vez em quando... Consumir produtos que usam menos embalagens descartáveis; separar o lixo para a reciclagem; racionalizar o uso da água, etc, etc, etc... Eu sei, tá todo mundo cansado de ouvir essas ‘ladainhas’... não são novidades, eu não descobri a roda!... Mas, e aí? Você faz a sua parte?... Efetivamente?... Ou, de vez em quando, sem querer ou perceber, joga na rua um papel de bala?... Afinal, as ruas são tão sujas, que um papelzinho a mais nem vai fazer diferença... Faz, se todos pensarem dessa maneira... Os bueiros, córregos e rios entupidos de lixo descartado nas ruas das grandes cidades são prova disso!...
Falta respeito pelo coletivo, pelo outro, pelo todo... Em uma era em que o ‘ter’ é mais importante do que o ‘ser’, em que o individualismo impera, não é de se estranhar...
Mas é hora de acordar... de se importar... de fazer alguma coisa... A velha máxima ‘se cada um fizer a sua parte’ se aplica direitinho aqui...
Ninguém precisa abrir mão do conforto conquistado e voltar a viver na era das trevas, mas que tal lembrar que milhares de pessoas não têm acesso à água potável antes de ‘varrer’ a calçada com uma mangueira... Muita, mas muita gente AINDA faz isso!
Esquecemos, por exemplo, que somos visitantes neste Planeta e que ele não é ‘nosso’... Esquecemos também que não somos os únicos a desfrutar dessa morada... E sem essa consciência, apenas desfrutamos das maravilhas generosamente oferecidas... e vamos deixando um rastro de destruição, sem nos importarmos com os outros ‘habitantes’, tidos como irracionais...
Aí, quando a mãe Natureza se enfurece, mostra a sua força e, mais uma vez, tenta nos fazer acordar, mostrar nossos erros e avisar que a sua paciência está perto do limite... nós continuamos apenas ‘lamentando’...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Um bicho de 7 cabeças...

Não adianta tentar fugir... ele está presente em tudo que é canto e ainda vai pegar você... Ás vezes aparece ostensivamente, em outras, passa desapercebido (é que você se acostumou com a sua aparência e nem se deu conta... mas ele está lá, pode crer!). Não tem saída, não adianta, é a ‘praga’ do nosso tempo...
É o bicho de 7 cabeças do século 21... O pior: ele não amedronta os mais novos; mas provoca terror, arrepios, calafrios nos mais velhos... Por isso, tenha sempre uma criança por perto para te ajudar a ‘domá-lo’; ah, quanto menos idade, melhor.
O ‘bicho’ em questão é a tal da Tecnologia... substantivo feminino mas aqui rotulada no masculino por que ‘bicha de 7 cabeças’ não ia pegar bem.
Como não pega bem, também, confessar abertamente nossa ignorância total no assunto... O melhor, nesse caso, é fazer cara de quem entende, mostrar muita naturalidade e mudar rapidinho o rumo da prosa, de preferência falar de coisas banais, como o tempo, por exemplo. Use essa tática para não ser taxado de ‘desatualizado(a)’, outra praga do século!
E sabe o que é pior? É que o tal do bicho, além das 7 cabeças, deve ter uma centena de pernas... já repararam como ele anda rápido? Nem bem a gente se acostuma com uma de suas facetas e já tem um montão de novidades pra atormentar a nossa cabeça... Praga moderna!
Se a gente aciona a tecla da memória e acessa o passado (recente, viu?) percebe que a vida era bem mais simples e fácil. Usávamos a tal da tecnologia com naturalidade, os aparelhos tinham os seus botões básicos, do tipo liga/desliga por exemplo, e a gente nem precisava saber como a coisa funcionava.
Quer um exemplo? A TV... Era simples... A gente escolhia o aparelho, comprava, levava pra casa e instalava no melhor lugar da sala. Aí conectava a antena, fazia os ajustes necessários até conseguir a imagem ideal e... pronto. Era só girar um botão e o aparelho exibia o seu programa preferido. Aí, quando queria mudar de canal, um total de 6 ou 7, era só deixar o conforto da poltrona e caminhar solenemente para girar o ‘outro’ botão que mudava de estação... Esses aparelhos tinham ainda umas rodinhas, tímidas e escondidas, que permitiam adequar o brilho, o contraste e a nitidez ao gosto do freguês... era melhor deixar elas do jeitinho que vieram de fábrica!... Foi o auge da fidelidade do espectador...
Foram anos nessa rotina... Desde as TVs que transmitiam em preto e branco até as que exibiam as imagens coloridas... Até que, de uma hora pra outra surgiu o controle remoto... A glória dos acomodados... A partir de então, o aparelho já ficava em stand by, ligava e desligava, fazia todos os ajustes através de meia dúzia de botõezinhos e, o que é pior, mudava de canal à distância... Um terror que começava a assombrar os dirigentes das TVs... Com o tal do controle o espectador tinha uma ‘arma’ na mão... O programa tá chato, tudo bem basta mudar de canal, sem sair do lugar... Surgia então uma palavrinha que eu, particularmente, detesto: zapear... Cá entre nós, existe coisa pior do que ficar em uma sala junto com alguém que confisca o controle e não para de mudar de canal?... Por isso, a necessidade de mais de um aparelho por residência. Essa providência é capaz, inclusive de evitar separações, vai por mim...
Mas, voltando à tecnologia televisiva... nos adaptamos ao controle e hoje não sabemos nem explicar como era a vida sem ele... Mas, como o ‘bicho’ anda... Logo chegou a TV a cabo... A maravilha das maravilhas... Dezenas de canais à disposição; liberdade de escolha, filmes, seriados, documentários, esportes, desenhos, notícias 24 horas por dia (tá certo que tem que passar por um bom filtro)... tudo ali, na palma da mão... Sim, porque agora tem, também, o controle do decodificador da TV à cabo que, nos primeiros dias a gente usa meio timidamente só pra ligar/desligar e ... zapear (se ainda não havia a possibilidade de separação, com o cabo é divórcio na certa!). A timidez inicial passa e com o tempo, mais ousados passamos a explorar os outros tantos ‘botõezinhos’ à disposição... Aí, felizes da vida, aproveitamos o intervalo pra acionar a grade de programação de outro canal, sem sair do que estamos vendo, descobrimos que temos acesso à informações sobre o filme que pode interessar, e por aí vai. Nos sentimos orgulhosos porque dominamos o controle, na marra... Manual explicativo não tem (ainda bem, né?)...
E a vida segue tranquila e sem sobressaltos, afinal já somos amigos de infância dos dois controles remotos (não esqueça que a TV tem o seu exclusivo). Até que... tchan tchan tchan... o ‘bicho’ dá as caras de novo e pinta o tal do ‘home theater’... Som double stereo com 6 caixas acústicas, conexão com aparelho de DVD, de vídeo, de som e, é claro, um controle remoto – imenso... Não, vocês não imaginam a quantidade de botões que essa coisa tem... Só de vídeo, são 3, outro para TV, mais um para DVD e por aí vai... Tentei o manual, me dei mal... E, como todos os aparelhos estão interligados... para o simples ato de ver TV é preciso usar 3 controles remotos: da TV, do decodificador e do home (esse ainda um assustador desconhecido para mim)... ainda bem que fica em stand by e ‘estacionado’ na função específica... E reza pra não apertar, sem querer um botão errado... Se não tiver um Diogo por perto – o filho mais novo da minha amiga Claudinha, pra te socorrer e solucionar o ‘problema’, esquece a TV e vá ouvir rádio... ele ainda tem apenas o liga/desliga e o sintonizador de estação...