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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Aprendi com meu pai...

No próximo domingo comemora-se o Dia dos Pais, então decidi usar esse espaço para homenagear o meu pai, que se foi há anos mas que continua ao meu lado nessa minha jornada.
Eu costumo dizer que meu pai foi uma pessoa que estava à frente do seu tempo. Democrata na essência da palavra, nunca foi repressor, controlador, autoritário. Ao contrário. Sereno e pacificador são adjetivos que o descreveriam bem. Com fala mansa e argumentos precisos, jamais me disse um ‘não’ puro e seco. Caso a resposta a qualquer pedido ou indagação fosse negativa, sempre havia uma explicação clara e objetiva. Assim, o que seria uma frustração se transformava em compreensão.
Mas, a primeira grande lição que aprendi com ele, ainda bem pequena, foi que confiança se conquista e, quando se perde, é para sempre. Que somos livres; mas que a liberdade carrega, como sombra, a responsabilidade. Que todos somos iguais e temos direitos; mas que o direito de um termina exatamente onde começa o direito do outro. E que a mentira ‘tem pernas curtas’ e jamais se sustenta frente à grandeza da verdade.
Meu pai foi o meu orientador. Em nossas conversas – sempre longas e prazerosas – ele contava sobre suas experiências, suas idéias, seus ideais e seu constante aprendizado por que há sempre e muito a aprender, a descobrir.
Meu pai nunca me disse – faça isso, faça assim, vá por aqui, aja dessa maneira. Em meus momentos de dúvidas, ele apenas ponderava; abria meus olhos para que eu conseguisse ver todos os lados da questão, para que eu analisasse os prós e contras e decidisse – sozinha – o que era melhor para mim. Nesses momentos ele me fazia entender que somente eu poderia escolher o meu caminho; porque o que é bom para um, pode não ser para outro.
Nessa lição eu aprendi que não há um caminho certo; um caminho totalmente seguro – aquele idealizado, amistoso; florido e ensolarado, sempre . Seja qual for a trilha que escolhemos ela sempre vai nos apresentar surpresas; umas agradáveis e gratificantes, outras perigosas e assustadoras. Estar preparado e saber agir com sabedoria, em qualquer situação, é a receita para seguir a sua jornada e chegar – seja lá onde for – inteiro, íntegro. Afinal, não se caminha sobre o prado o tempo inteiro. Há montanhas a escalar e penhascos a desafiar a sua coragem. Prepare-se, também, para escorregões sem muita importância, e tombos homéricos – ninguém está livre deles. Nesse caso, levante rapidamente e siga. Enfrente a dor das escoriações; elas não duram para sempre. Nunca perca a ternura e mantenha a doçura no coração. Foi assim que ele viveu.
Por fim, a grande lição que meu pai me ensinou foi que não há o que valha a pena, se o preço a pagar for abrir mão de seus valores, da sua integridade.
Quando ele se foi, eu me senti completamente perdida; sem chão, sem farol. Então descobri que eu ainda tinha asas e possuía olhos de lince. O que eu sou, em essência, é resultado de tudo o que meu pai me ensinou, desde muito cedo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Politicamente correto?

Essa história de ‘politicamente correto’ está ficando muito chata! E sabe por que? Porque as pessoas estão intolerantes; perderam o humor e a capacidade de distinguir uma brincadeiro de uma ofensa. E por conta disso alguns se acham no direito de tentar proibir o que os incomoda.
O caso mais recente vem do Conar. O órgão, que regula a veiculação de propagandas, abriu um processo contra a Nissan e pode tirar o filme ‘Pôneis Malditos’ do ar (na TV e na Internet). A origem do processo está na associação dos pôneis, classificados como ícones infantis, com a palavra malditos! Foram perto de 30 reclamações! E, por conta delas, o comercial, acessado por mais de 3,5 milhões de pessoas no Youtube, está na berlinda! É demais! É muita falta de humor. É censura! É ditadura de uma minoria que acha que pode ‘regular’ o pensamento geral baseada em suas crenças e preconceitos individuais. E o que é pior, essa gente se acha ‘politicamente correta’! Chega!
O politicamente correto deveria ser apenas o que é: uma opção de comportamento baseada em respeito incondicional ao próximo. Mas, por conta dessas ‘patrulhas’ está virando uma ditadura de minorias e ultrapassando a linha do bom senso.
Hoje em dia ser politicamente correto é quase uma exigencia, e das mais radicais. Exigência que está restringindo o humor, provocando autocensura, acabando com a criatividade e gerando um policiamento de idéias bem pouco saudável.
Não se pode mais usar palavras que transmitam qualquer tipo de preconceito ou discriminação; não se pode brincar com as diferenças; não se pode fazer piada de nada. Quem se atrever que se prepare porque vem chumbo grosso! Com certeza será taxado de preconceituoso, discriminador, intolerante, etc. E aí é que cabe a pergunta: rotular o outro baseado apenas em uma brincadeira bem humorada é politicamente correto?
Afinal, ser politicamente correto é respeitar toda e qualquer pessoa como aquilo que essencialmente ela é: um ser humano único e íntegro, idependente de sexo, raça, cor, posição social, profissional, ou opção sexual, política e religiosa. É tratar o outro como gostaríamos de ser tratados. Simples assim!
Preconceito, seja qual for, é injustificável. Mas, não são só palavras ou expressões que geram discriminação; muitas vezes é a atitude que demonstra isso. Um olhar ou um gesto pode ser muito mais preconceituoso e excludente do que mil palavras.
Só que, em nome de minorias tidas como excluídas, formou-se um exército de patrulheiros que anda atirando para todos os lados, provocando distorções e tentando acabar com um bem pra lá de precioso: a liberdade de expressão.
Dizer, por exemplo, ‘hoje eu ajudei um ceguinho a atravessar a rua’, não pode. Utilizar a palavra ‘cego’ é discrimiação preconceituosa. Se fizer isso, será taxado de politicamente ‘incorreto’, independente da atitude solidária. O ‘correto’ é dizer deficiente visual, mesmo se você deixar de ajudá-lo a atravessar a rua.
O ‘patrulhamento’ é tão ferrenho que nem os clássicos infanto-juvenis de Monteiro Lobato escaparam. Identificaram em seus livros, especialmente em ‘As Caçadas de Pedrinho’, ‘referências racistas’. Até personagens do folclore nacional estão sendo enquadrados. O ‘Saci Pererê’ é um deles. Coitadinho, além de negro, é perneta e, pecado maior: fuma cachimbo. Não pode! Tem que ser remodelado; ganhar uma perna, de madeira que seja, e – é claro – abolir o nefasto pito. Depois dele, provavelmente o próximo alvo será o ‘Negrinho do Pastoreio’, cujo nome ‘politicamente correto’ deveria ser ‘O pequeno afro-descendente do Pastoreio’.
Se continuar nessa balada, logo mais o clássico infantil ‘Branca de Neve e os 7 anões’ passará a se chamar ‘Branca de Neve e os 7 homens de pequena estatura.’ Ah, e o Cebolinha que se cuide porque se continuar chamando a Mônica de ‘dentuça’ pode ser punido por bullying!
O que acontece é que estão levando tudo muito ao pé da letra sem diferenciar o humor da agressão. Quando se tem de pensar duas vezes antes de fazer uma brincadeira ou emitir uma opinião a espontaneidade criativa vai embora e tudo fica muito chato.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Aonde vamos parar?

Nos últimos dias, as notícias que povoaram jornais, revistas, rádio e TV me deixaram meio atordoada. Diante de tantos descalabros eu me pergunto: aonde vamos parar? Ética, moral, honestidade, justiça perderam o significado? São apenas palavras? Vivemos realmente a era de impunidade geral? Leis e tratados são apenas documentos que se ‘moldam’ de acordo com o interesse pessoal de alguns que se julgam acima do bem e do mal? Não sei... Aliás eu não sei de mais nada.
Não bastaram a prisão dos bombeiros cariocas e a liberdade do condenado italiano, a ‘coisa’ tinha que piorar...
E piorou... Eu quase cai da cadeira quando vi e ouvi um advogado – que defende um dos suspeitos do assassinato daquele jovem estudante de 24 anos, na USP – dizer, na maior ‘cara dura’ que seu cliente não iria entregar o parceiro porque ‘quem é do crime tem ética... todas as profissões têm ética’!... ‘Peralá’... Ética?... Desde quando bandido tem ética? E, ser criminoso virou profissão? Isso, vindo de um advogado é mais do que lamentável, é chocante!... O bandido em questão confessou ter participado do assassinato do estudante, mas alegou que foi seu companheiro quem atirou. Como se apresentou, não tem antecedentes criminais e tem endereço fixo, vai responder ao processo... em liberdade! Essa é a nossa justiça (com minúscula mesmo).
Achou que para por aí? Engano... Teve mais... E veio da Bolívia a notícia até então inimaginável.
O presidente Evo Morales, isso mesmo, o presidente, baixou uma lei que vai legalizar cerca de 200 mil carros irregulares. Até aí, tudo bem. Acontece que esses veículos, automóveis e caminhões, foram todos contrabandeados e são frutos de roubos nos países vizinhos, Brasil inclusive e principalmente!!!
Segundo o Sr. Morales, a legalização é muito justa afinal essa é a ‘única alternativa para os pobres que compram veículos sem documentos porque são mais baratos... e eles, como todos, têm direito de ter o seu carro.’ Que bonzinho que é esse presidente, não? Acontece que roubo e contrabando são crimes e uma atitude desse nível, pra mim, nada mais é do que cumplicidade.
E mais... e o direito de quem comprou, pagou e teve a sua propriedade roubada – muitas vezes com violência? Não interessa, né? O que importa é que os ‘pobres’ bolivianos têm direito a um ‘carrinho’, seja qual for a procedência. A que ponto chegamos!...
Agora me diz: diante de todas essas notícias quem é que não fica atordoado, né não? Ou eu fiquei maluca ou tem muita coisa fora de ordem...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O que mais podemos esperar, sr. Haddad?

Eu juro que não acreditei no que vi... Dei até uma piscada mais prolongada e limpei as lentes dos óculos antes de ler outra vez. Mas era real. Estava lá, na manchete da página do jornal: ‘MEC gasta R$ 13,6 mi com 7 milhões de livros para ‘ensinar’ que 10-7=4’(O Estado de S. Paulo, pág. A26, edição de 4/06/2011).
E não para por aí. Os cadernos de matemática da coleção ‘Escola Ativa’ ensinam que 16-8=6 e 16-7=5... Inacreditável!
A tal coleção, com 35 volumes, foi distribuída nas escolas da zona rural que reúnem, em uma mesma sala, alunos do 1ºao 4º ano do ensino fundamental.
Não bastam as condições precárias dessas escolas? O material didático distribuído pelo MEC não deveria ser mais bem cuidado? Antes da publicação, os livros não foram revisados? Quando foram entregues com erros tão grotescos não deveriam ter sido devolvidos para que houvesse correção? Mas não...
Não só foram recebidos e pagos, como distribuídos... Quase um ano depois (pois é, a coleção chegou às escolas no segundo semestre de 2010!) é que alguns ‘iluminados’ de uma dessas ‘comissões’ lotadas de ‘aspones’ perceberam as aberrações. Mas, pior que isso são as explicações do ministro da Educação. Segundo Fernando Haddad ‘houve uma falha de revisão’... ‘mas como esse é um material de uso opcional, não comprometerá o ensino’...
Com todo o respeito, Sr. Ministro, dá um tempo! A ‘coisa’ não é tão simples assim. Não basta recolher os livros ou mandar interromper o seu uso, ou, ainda, solicitar abertura de ‘sindicância’. O senhor deve explicações (e muitas); como titular da pasta é o responsável por tudo o que acontece em seu domínio. E olha que ultimamente as confusões oriundas do MEC não são poucas... problemas com Enem, livro que afirma que falar errado não é errado, o kit anti-homofobia... O senhor está na berlinda faz tempo e agora isso... Portanto venha a público se explicar por mais esse ‘deslize’; mas sem atentar contra a nossa inteligência, por favor.
O senhor deve explicações, sim. Em respeito aos alunos e professores atingidos, e aos contribuintes que, como eu, pagam impostos altíssimos, lotam os cofres públicos e esperam, no mínimo, o bom uso desse dinheiro. Afinal foram mais de R$ 13 milhões jogados no lixo... E, caso o senhor não seja capaz de explicar o inexplicável, que tome outro rumo na vida. Porque a educação é o pilar mestre na formação de um país de verdade. É através da educação que se conquista a cidadania, a soberania e a liberdade. E o mínimo que se espera de um ministro da Educação é que trabalhe com muita disposição para melhorar e aprimorar a formação das crianças e jovens desse país, e não o contrário.

sexta-feira, 25 de março de 2011

O fim da Eldorado FM

A Eldorado FM será despejada de seu tradicional endereço no dial nos primeiros minutos do próximo domingo. Na data, 27 de março, toma posse dos 92,9 a rádio Estadão ESPN, com notícias e esportes 24 horas por dia.
A tão conceituada FM musical será hóspede nos 107,3 e ‘ganha’ até sobrenome: Eldorado Brasil 3000 (???). Uma parceria estranha que, provavelmente, desagradará a gregos e troianos. Além disso, a freqüência da atual Brasil 2000 nunca foi um exemplo de potência. O sinal é fraco e mal cobre a cidade inteira.
É o começo do fim da Eldorado FM! Afinal, quanto tempo vai durar essa ‘fusão’? Dois, três, cinco anos? E depois?
Quem não vive na capital paulista e lê esse blog merece uma explicação. Eu tenho uma relação de amor profundo com a Eldorado FM. Talvez, por isso, é difícil escrever esse texto; há uma carga grande de emoção em jogo e são tantas as histórias... Mas vamos lá tentar dar uma visão geral do assunto.
No começo dos anos 80, a Eldorado era totalmente inexpressiva no cenário FM de São Paulo. Era, até o João Lara Mesquita assumir e dar início à transformação. Com intuição aguçada, dedicação total, trabalho minucioso, muita competência, driblando problemas técnicos e dificuldades financeiras, ele ‘levantou’ a FM. Aos poucos a Eldorado foi conquistando seu espaço e se firmando como uma rádio inovadora, diferente, produzida. Não demorou para ganhar prestígio e respeito.
Eu trabalhei na Eldorado FM; comecei por lá em 1987, após mais de 8 anos de Bandeirantes. Foi uma experiência que marcou minha carreira. Na época, a rádio, já estruturada, lapidava os seus diferenciais: qualidade musical, excelência da locução (alguns dos melhores profissionais do mercado passaram por lá) e criatividade, muita criatividade.
A equipe, sob o comando do João, era enxuta, coesa e super integrada. Um time, no melhor sentido da palavra, com objetivo bem claro: fazer uma rádio com personalidade e estilo. Elegante, mas sem deixar de ser descontraída, alegre e jovial.
Ousada, a FM abriu espaço para uma série de esportes bem pouco divulgados pela mídia em geral: trial, enduro, balonismo, canoagem, rali, provas de off-shore (só para citar alguns) e, iatismo: sua marca registrada. A Eldorado acompanhava todas as grandes competições de dentro dos veleiros e, depois, levava aos ouvintes cada movimento da tripulação – a adrenalina da largada, o trabalho à bordo, as trocas de velas, o planejamento estratégico, enfim tudo o que acontece durante uma regata.
Na época, a rádio não dispunha de equipamentos de ponta ou facilidades tecnológicas, mas isso nunca foi uma barreira à imaginação e à realização. Ao contrário, os desafios eram um estímulo a mais. Nada era impossível.
Um exemplo: sem celular, laptop ou qualquer outra parafernália existente hoje, a Eldorado (leia-se João, porque ele nunca se limitou a apenas dirigir a rádio atrás de uma mesa de diretor executivo; ao contrário, sempre fez questão de ‘por a mão na massa’) fez a cobertura do rali Paris-Dakar de 1989, direto das areias escaldantes dos desertos africanos. Na raça, na marra!... E todos os momentos – divertidos, de apreensão, de alegria, de emoção – foram ao ar em uma série de programas especiais diários, durante e depois da prova. Agora, dá pra imaginar isso no fim dos anos 80? Época em que o único contato possível entre o deserto e o resto do mundo era via satélite e a preço de ouro o minuto?... Mas, demos um jeito; o nosso jeito e o trabalho foi um sucesso.
Muitas outras coberturas foram realizadas assim. Através delas (que utilizavam o som ambiente, os ‘ruídos’ de cada esporte, a emoção do momento) a Eldorado FM tentava restituir ao rádio o seu status de ‘veiculo da magia’ que, através do som, instiga a imaginação e faz cada um dos ouvintes experimentar sensações únicas e individuais.
A programação musical da rádio é um diferencial, até hoje. A Eldorado FM nunca se rendeu ao sucesso ‘fabricado’; ao contrário, a missão dos programadores sempre foi buscar a melhor música e ‘descobrir’ novos ou esquecidos talentos.
Quando eram poucos os que ‘pensavam’ em ecologia e meio-ambiente, a Eldorado já abria espaço para o assunto. Quando pouco se falava em cidadania, lá estava a marca da rádio apoiando campanhas. São tantas as realizações, não dá para falar de tudo.
Em resumo: a Eldorado FM fez escola. O trabalho diário, incansável, persistente, ousado e criativo concretizou uma marca de prestígio, que carrega um conceito de qualidade que poucas outras tem, e fixou seu endereço no dial: 92,9... Um legado, prestes a acabar.
PS.: A Eldorado AM também ‘desaparece’ no domingo; em seu lugar estréia a rádio Estadão ESPN.
(Quem quiser saber mais detalhes dessa história, procure o livro ‘Eldorado, rádio Cidadã’, de João Lara Mesquita – editora 3º Nome. Garanto que vale a pena).

segunda-feira, 7 de março de 2011

Eu só queria ver a Portela...

Ontem dei uma passadinha pela rede Globo pra ver a transmissão do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Queria ver a Portela.
Fiquei impressionada com a transmissão, mas não positivamente.
É praticamente impossível acompanhar o desfile tamanho o número de interrupções de apresentadores, convidados, repórteres. Um querendo passar mais ‘conhecimento’ do que o outro. Um atropelando o outro para mostrar familiaridade/intimidade com os ‘famosos quem’... Muitas entrevistas-relâmpago do tipo: ‘estou aqui com fulano/fulana que acabou de desfilar’... e a inevitável pergunta/afirmação ‘é muita emoção, né?’... Comentários óbvios: ‘olha que lindas as cores dessa ala’... Eu to vendo! Não precisa dizer que tem amarelo, laranja, azul, verde...
Além, é claro, das explicações do enredo: ‘essa ala representa...’, ‘olha o carro que traz...’, ‘a fantasia das baianas mostra...’.
E não para por aí, tem que ‘explicar’ também a coreografia da comissão de frente e seu ‘significado’ dentro do enredo!!!! E pensar que as imagens deveriam ‘falar por si’!... Achou que acabou? Engano... transmissão que se preze tem que ter as ‘apresentações’: ‘taí o mestre da bateria...’ ‘olha aí o primeiro casal de Mestre Sala e Porta-Bandeira’... ‘essa é a rainha da bateria’ (sem falar que tem legenda na tela!!!). E tudo na base do grito, porque o som da bateria é poderoso (pena que não o suficiente para nos poupar de tanta besteira).
É tanta falação inútil que é quase impossível acompanhar a letra do samba – nem mesmo quando aparece no vídeo... Porque nessa hora, é obvio, vem mais ‘esclarecimentos’. Haja! Dá vontade de tirar o som. Aliás, com tanta tecnologia disponível, deveria haver a possibilidade de um segundo canal de som – direto da passarela, sem os apresentadores.
Eu já começo a lutar contra o sono... Tento bravamente vencer a tentação de desligar a TV, virar de lado e dormir, porque eu quero ver a Portela!
Mas o show continua deixando a desejar...
A direção de imagem é alucinada e alucinante, mal dá pra curtir alguns detalhes. É um tal de corta aqui, passa pra lá, retorna acolá, que quem está assistindo fica sem saber em que parte o desfile está. Isso sem falar dos closes nos destaques e naquele bando de ‘celebridades’ que só os iniciados na ‘arte dos barracões’ ou os seguidores de realities shows conhecem... Os realmente famosos aos olhos do mundo (e do resto do Brasil) são poucos...
Aí eu pergunto: pra que tanta explicação, por que tanto frenesi? O que interessa é ver a escola, ouvir o seu samba – se possível cantar junto- curtir o colorido do conjunto, achar bom ou ruim e torcer para que a sua preferida ganhe... Pouco me interessa o enredo – mesmo porque normalmente eles não tem pé nem cabeça (salvo quando homenageiam algum personagem). Pouco me interessa quem é quem naquele palco improvisado; deixem que eu mesma reconheça os que têm alguma relevância – caso do Paulinho da Viola, que deveria dispensar apresentação.
Na minha modesta opinião, as escolas de samba – sejam do Rio ou de São Paulo, estão pasteurizadas, mecanizadas, burocratizadas. Sai uma, entra outra e parece uma coisa só. Até os sambas são semelhantes na melodia, no andamento; tente cantar a letra de um com a música de outro, é bem provável que você consiga. Os desfiles são engessados, regrados, quase monótonos – tudo tem que ser perfeito para agradar aos juízes. Os integrantes – em número cada vez maior – perderam a espontaneidade . Alguns, passam quase correndo; outros estão tão ocupados segurando chapéus e adereços que esquecem até de se divertir na passarela; muitos nem cantam o samba.
A criatividade, a ousadia, a crítica inteligente ficaram para trás (lembra dos desfiles polêmicos do Joãosinho Trinta?). As pessoas comuns que brilhavam ao mostrar suas maestrias e habilidades se transformaram em meros coadjuvantes sem a menor importância. Perderam para as figurinhas carimbadas da mídia em geral que tomaram os postos de reis e rainhas de quem realmente tem a majestade.
Por um punhado de grana – que enriquece uns poucos e não muda nada para a grande maioria que vive o dia a dia das escolas – transformaram a mais pura manifestação da criatividade popular em um espetáculo industrializado e quase patético. Os desfiles das escolas de samba não são mais para o público em geral – seja desfilando ou pagando ingresso. Eles acontecem apenas para ser exibidos pela TV, cuja transmissão é, também, cada vez menos preocupada com o publico espectador e mais com o massagear de egos de apresentadores, repórteres e convidados especiais.
Ah... eu comecei dizendo que queria ver a Portela. Juro como tentei. Mas, diante da xaropada da transmissão, cochilei no meio do primeiro desfile, perdi a segunda apresentação e só consegui acompanhar alguns momentos da famosa escola em azul e branco.
Conclusão: o auto-denominado ‘maior espetáculo da Terra’ não passa de um show pra boi dormir!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Me rendi ao samba...

Eu nasci no ano em que Bill Halley lançou ‘Rock around the clock’ e deu início a uma revolução que mudou o cenário musical mundial.
Cresci ouvindo Beatles e Rolling Stones e curtindo o iê iê iê da Jovem Guarda naquelas tardes do domingo.
Mais tarde vivi a ilusão da possibilidade de um mundo mais justo, harmonioso e sem guerras sob o lema ‘Paz e Amor’, propagado pelo movimento hippie e embalado pelos solos da guitarra de Jimi Hendrix, a voz inconfundível de Janis Joplin, o som lisérgico do Yes, e viagens sonoras do Pink Floyd... Só para citar alguns, porque a lista é imensa.
Na trilha sonora que foi marcando cada fase da minha vida, houve espaço para o Tropicalismo de Caetano, Gil, Gal e Bethania, pra um punhado de músicas do Chico e outro tanto das do Milton e sua turma do Clube da Esquina, um pouco de bossa nova e muita coisa do Toquinho e Vinicius...
Samba?... Não, nunca me identifiquei com o ritmo. Não sou da batucada... nem da carnavalesca. Nos tempos em que eu curtia a Folia de Momo, preferia as marchinhas de ‘antigamente’...
Samba?... Nunca fez a minha cabeça... A exceção – e sempre tem! – são as músicas de Adoniran Barbosa... Essas eu gosto e sei cantar! No mais... não conheço quase nada!
Como diz a letra ‘quem não gosta de samba é ruim da cabeça ou doente do pé’... Minha cabeça não é tão ruim assim... então, sou doente do pé, mesmo. Não só do pé... das ‘cadeiras’ também. Sincronizar o vai e vem das pernas, com um remelexo de quadril, ombros e braços é demais pra mim... Não ‘rola’... Sou ‘dura’, não tenho ginga! Sabe aquela imagem de gringo sambando desengonçado? Então... eu sou um pouco pior... Talvez por isso o samba não faz parte do meu cardápio musical.
Mas,... já repararam que tem sempre um mas!... Um dia desses, passeando pelo Facebook, me deparei com um vídeo compartilhado pelo Arnaldo Duran. Curiosa, cliquei; era um samba e... eu me encantei. Revi várias vezes. Fui fisgada! Pela música, pela qualidade dos músicos e, principalmente pela interpretação impecável do cantor... que cadencia, que ritmo, que balanço, que expressão!!!!
Só que eu nem fazia idéia de quem se tratava... Declarei minha ignorância na rede e quase que instantaneamente começaram a chegar as informações.
É o Germano Mathias, sambista ‘das antigas’, nascido em São Paulo; quem o acompanha é o quinteto Preto e Branco, além de Luizinho 7 Cordas no violão, Raul de Souza no trombone e Guilherme Vergueiro no piano... A música, ou melhor as músicas, ‘Guarde a sandália dela e História de um valente’. Um show!
Show que, descobri depois, é parte do documentário ‘Ginga no Asfalto’, lançado em 2007. No DVD, além de cantar, Germano fala de sua vida e obra. Uma aula para aprendizes, como eu...
Me rendi ao samba do Germano... Não virei sambista... estou longe disso. Mas, vira e mexe me pego cantarolando...’guarde a sandália dela que o samba sem ela não pode ficar...’ Que maravilha!
Quer conferir o que me fascinou? Então experimente o link abaixo e depois me conta.
http://www.youtube.com/watch?v=87CYO_rfOhY

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Até quando seremos passivos?

Em seu artigo 196, a Constituição do Brasil garante: ‘A saúde é um direito de todos e um dever do Estado’.
Lindo! No papel, porque a realidade é bem outra.
Pagamos impostos altíssimos (é só dar uma olhada no ‘Impostômetro’ e constatar os contínuos recordes de arrecadação) e o que recebemos em troca? Desrespeito (à Constituição) e descaso (com o cidadão cumpridor dos seus deveres).
Quem depende do SUS espera meses, às vezes até mais de ano, para conseguir consultar um especialista, realizar um exame um pouco mais complexo ou uma cirurgia que não requer urgência mas que, com certeza, melhoraria – e muito – a qualidade de vida.
Quem pode, contrata plano ou seguro de saúde particular e paga mensalidades absurdas para garantir o que o lhe seria de direito: acesso a atendimento e tratamento médico.
Mas, mesmo nesses casos, às vezes não dá para escapar dessa rede de desumanidade que caracteriza a saúde pública brasileira. É o caso de pacientes que fazem uso dos chamados medicamentos de alto custo e que dependem do fornecimento do Estado (leia-se Ministério da Saúde). São portadores de doenças degenerativas, como Esclerose Múltipla, Alzheimer, entre outras; doenças reumáticas, transplantados, pacientes com câncer, cardíacos e outros males que eu nem conheço.
Esses medicamentos não estão à venda no varejo, têm preços proibitivos (o de Esclerose Múltipla, por exemplo, custa perto de R$ 6.000,00 a caixa com 15 injeções, suficientes para um mês de tratamento!) e garantem a sobrevivência com um mínimo de qualidade de vida.
Pois boa parte desses ‘remédios’ está em falta em São Paulo; pela segunda vez, em pouco mais de três meses! Fato que se repete desde que entrou em vigor uma resolução assinada pelo então ministro José Gomes Temporão (resolução/portaria GM/MS nº 2.981) que centralizou a compra no Ministério da Saúde para posterior repasse aos Estados. Até então, quando a compra era realizada pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, o fornecimento era regular. Agora, só Deus sabe!
Além de ter que conviver com doenças assustadoras, algumas incuráveis e que projetam um futuro de incertezas, esses pacientes têm tolhido o seu direito à uma vida digna e, na medida do possível, produtiva. Porque a interrupção forçada e contínua do tratamento tem um custo. Mas quem se importa?... Perdem-se avanços conquistados a duras penas. Mas quem se importa?... Anos de tratamento são ‘jogados no lixo’... Mas quem se importa?...
Escrevo sobre o assunto com conhecimento de causa. Alguém muito próximo tem Esclerose Múltipla e há três anos se submete ao tratamento com Betainterferona. São as injeções, aplicadas em dias alternados, que garantem o controle da doença, impedindo seu avanço devastador, que provoca paralisia, cega, mata!
Em outubro último, houve interrupção forçada no tratamento, devido à falta da medicação. Foram 25 dias de angústia e medo. Por muito pouco não tivemos que ‘começar do zero’..., sem falar do risco de um novo surto da doença e as conseqüentes seqüelas irreversíveis.
E a situação se repete neste mês de fevereiro: faltam medicamentos, vários, conforme constatei pessoalmente na última quarta-feira! ... E o que é pior, não há previsão de regularização no fornecimento. Os pacientes?... Ora os pacientes!... Quem se importa.
Na verdade, trata-se de negligencia e irresponsabilidade de quem deveria zelar pelo bem estar do cidadão: o Estado, seja de que esfera for!
Mas, como nos sentimos impotentes diante da situação, nos conformamos e não fazemos nada, ou quase nada, de efetivo para reverter esse quadro. Registrar reclamação em ouvidorias públicas ou enviar emails para espaços dos leitores de jornais e revistas não resolvem mais. As respostas oficiais são sempre evasivas e os problemas se repetem.
E esse é só um exemplo do descaso com que nós somos tratados pelas autoridades constituídas.
Aos que se sentem lesados só resta a união, a consciência coletiva de que temos direitos garantidos pela Constituição e que eles devem ser respeitados, nem que para isso seja necessário acionar a Justiça. Porque, se queremos realmente um país mais justo, é preciso acordar e exercer plenamente nossa cidadania. Tomar as rédeas e reivindicar o que nos é de direito. A nossa parte nos cumprimos, então porque a outra não cumpre a dela?

P.S.: finalmente, no dia 10 de fevereiro o medicamento para Esclerose Múltipla estava disponível para a retirada mensal na Farmácia de Alto Custo da Várzea do Carmo, em São Paulo, capital. Se houve regularização na entrega de outros remédios eu não sei. Só espero que as autoridades responsáveis cumpram com o seu dever e a falta de medicamentos não vire rotina.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Embarque no próximo trem...

Embarque no próximo trem...

É impressionante como somos negligentes com o tempo.
Basta alguém dar o alerta: ‘nossa há quanto tempo!’... e pronto! Paramos, contamos dias, meses, anos e damos de cara com a realidade!!! O tempo passou, rápido demais!
E o pior ainda está por vir...
Ao remexer o baú das lembranças percebemos quanta coisa ficou para trás. Sem saber muito bem como, muito menos entender por que. Simplesmente foram ficando pelo caminho. É uma contabilidade cruel...
A gente pisca e lá se foram 5, 10, 20..., até mais, anos. Uma existência. Os bebezinhos que embalamos, cresceram. São pais, mães, profissionais bem sucedidos, donos de seus destinos... e a gente nem se deu conta.
Isso sem falar dos amigos queridos. Aqueles com os quais um dia compartilhamos segredos, sonhos, aventuras, emoções, brincadeiras inconseqüentes e até algumas irresponsabilidades, e que perdemos de vista, apesar de guardados num cantinho empoeirado da memória.
Em meio a esse balanço emocional, onde lucros e prejuízos se enroscam, surgem aquelas velhas desculpas, as esfarrapadas: ‘Foi a vida que nos separou’... ‘Tomamos rumos diferentes’... ‘Mudamos de cidade, de Estado, de país’... ‘Casamos, descasamos’... ‘Temos interesses diferentes’...
Desculpas, só isso.
Na verdade, vivemos correndo atrás de minutos e nem sentimos que, não só as horas, mas, com elas, os anos passam rápidos demais. Permanecemos paralisados por uma teia poderosa tecida pelos chamados compromissos inadiáveis... e o que é realmente importante acaba ficando para trás.
Perdemos tempo demais projetando o futuro e, quase sempre, esquecemos de viver o presente... Pense em quantas vezes, nos últimos tempos, você não planejou fazer alguma coisa, nem que seja um café com um amigo pra colocar o papo em dia, dar risada, falar dos outros, descontrair,... e ficou só nos planos porque ‘as urgências do momento’ impediram?... Mas, o que pode haver de mais importante do que ‘perder um tempo’ com o que lhe dá prazer?
Trata-se de uma escolha. Ser protagonista, entrar em cena e correr os riscos do improviso num espetáculo não ensaiado; ou se portar como um espectador passivo e ver a vida desfilar no palco mais próximo.
Bem disse John Lennon: ‘a vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos’.
Pois é! Projetar o futuro, ter objetivos claros, traçar metas realistas, visualizar o que se quer, é importante. Mas, nesse planejamento tem que caber os pequenos prazeres... Aqueles que nos enchem de emoção, alimentam a alma e renovam as energias. Afinal, estamos nesse mundo para ser feliz. E isso é o que mais importa... O resto... a gente sempre dá um jeito. Por isso, não seja negligente com o tempo. Ele é implacável! Vai e não volta mais...
Agora, se você perdeu o primeiro trem, não lamente. Apenas se prepare para embarcar no próximo, que já desponta ali na curva. E, boa viagem!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Eu amo São Paulo

Hoje, 25 de Janeiro, São Paulo completa 457 anos.
Resistente, a cidade que é chamada por muitos de ‘selva de pedras’ precisa apenas de um olhar mais atento para que se perceba que por trás da dureza aparente há uma beleza delicada que é só sua.
Ruas, alamedas e avenidas exibem mais do que asfalto e concreto. Ostentam árvores imponentes e de incontáveis espécies. As antigas e raras, as que pintam a paisagem com suas flores coloridas, outras que apenas oferecem sombra e abrigo, e aquelas que alimentam com seus frutos bandos de sabiás, maritacas, andorinhas, bem-te-vis e outras muitas dezenas de pássaros.
Pássaros cujo canto forte ainda consegue se sobrepor ao barulho ensurdecedor de motores acelerados, buzinas, zumbidos, falas, gritos...
A arquitetura arrojada ergue edifícios cada vez mais altos, modernos, inteligentes..., obras de arte contemporâneas que se misturam harmoniosamente a prédios históricos, com muito charme.
Isso é São Paulo... terra de contrastes, que não esconde as suas mazelas e que, do seu jeito, segue sempre em frente. Não para... Se movimenta a passos largos, na cadência de mais de 10 milhões de pessoas... Um mar de gente que se esparrama, como ondas, enchendo de vida ruas, praças, parques, avenidas.
Gente... muita gente, de todos os cantos do Brasil e do Mundo. Gente que fez e faz de São Paulo o que ela é: um mix de sotaques, costumes, culturas. Uma mistura exótica que forma o estilo de ser e viver da cidade.
São Paulo é terra de oportunidades, de trabalho, de esperança, sonho,... de desafios.
Pródiga pra uns, dura, muito dura, com outros...
Cidade grande... que atrai, ilude, assusta, surpreende, deslumbra... frustra.
Metrópole cosmopolita que não para, não dorme... São Paulo é única.
À primeira vista é frenética demais, agitada demais, confusa demais... Caótica, desenfreada, enlouquecida! Feia pra uns, linda para muitos. É rica, histórica, moderna, intelectual, esportiva, alegre, séria. Uma cidade viva, extrovertida, carrancuda, sentimental, romântica... Depende da disposição de quem a olha.
É paulista, italiana, japonesa, judaica, portuguesa, espanhola, árabe, latina, mineira, nordestina, brasileira... É acolhedora.
É terra de toda gente, terra de todos nós.
São Paulo é grandiosa em números, índices, valores. Mas, sua grandiosidade aparece mesmo é no tamanho do seu coração e na generosidade de seu povo.
Eu amo São Paulo. E você?

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Vou fazer brigadeiros

Hoje li o desabafo de um ex-publicitário, o Thiago, no blog do Publicijobs (procurem em http://publicijobs.blogspot.com e leiam). Ele relata sua desilusão com a profissão que escolheu.
Eu faço coro... Minha área também é das ‘comunicações’, jornalismo, e sinto o mesmo que ele.
A falta de criatividade, de cultura, de conhecimento, de talento é tanta que transparece na mediocridade da mídia em geral.
Estão nivelando por baixo... Especialmente no que se refere à remuneração.
Fico abismada quando leio um anúncio da vaga, vejo as ‘exigências’, a carga horária (normalmente horário comercial – das 9h às 19h com uma hora de almoço) e... o salário oferecido! É piada... Tem gente contratando por salário de 800, 1.000, 1.500... Isso para ‘autônomo’ ou PJ, sem benefício nenhum!!!
Não saio da minha casa por isso. Sei o valor do meu trabalho, do meu conhecimento, da minha experiência... É a desvalorização total da profissão e dos profissionais...
Diante do fato não é de se estranhar o baixo nível geral da imprensa – escrita, falada e televisiva...
Um exemplo: dia desses, passando por uma dessas News da TV a cabo (não lembro se Band ou Record) ouvi a seguinte ‘pérola’ de uma repórter:
‘... houve manifestação das vítimas fatais’!!!!!!!!!!! (onde? No céu?)...
E por aí vai...É a ‘marcha da mediocridade em curso’, como diz o Roberto Navarro!
Por essas e outras, sem trabalho na minha área eu decidi: vou fazer brigadeiros.
O doce, com gosto de infância, crocante por fora e super cremoso por dentro é minha especialidade culinária. Uma das únicas, uma vez que cozinha e fogão não são o meu forte! E é com esse docinho que derrete na boca, tem sabor de festa e remete aos tempos em que um futuro ensolarado, brilhante e feliz era tudo o que nos esperava, que eu vou ‘ganhar’ a vida, pelo menos nesse momento.
Às ‘escritas’, minha paixão, vou reservar esse espaço. Um espaço meu, sem censura, sem necessidade de permissões ou aprovações; um espaço livre para exercitar a criatividade, coordenar idéias, passar experiência e escrever sobre o que eu bem entender.
No resto do tempo, vou me dedicar às bolinhas de leite condensado e chocolate, lindamente depositadas em forminhas de papel. Um deleite!
Vou fazer brigadeiros... E a partir de agora, aceito encomendas de quem queira embarcar numa viagem de volta à infância, mesmo que momentânea.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Reflexões...

Outro dia, em um relato do Diário de Bordo do Projeto Mar Sem Fim na Antártica, meu amigo João conta que abortou o início da viagem de volta (leiam é interessantíssimo). Em um momento de incerteza, provocado por mudanças meteorológicas, ele não teve dúvida: recuou. Voltou para um porto seguro à espera de tempos mais favoráveis para seguir em segurança.
Fiquei pensando nisso e em como é possível aplicar esse aprendizado nas decisões que somos obrigados a tomar no dia a dia... Tá certo que os fatos que se apresentam e exigem uma decisão rápida e objetiva nem sempre são tão claros, mas a atitude é a mesma.
Quantas vezes não insistimos em seguir em frente, quando o mais sensato seria recuar, dar um tempo? Mas não... nos camuflamos com coragem e percorremos o caminho traçado, com bravura!... E aí, quando quebramos a cara nos primeiros quilômetros da caminhada, culpamos a ‘falta de sorte’... Se tivéssemos ouvido a nossa intuição... Mas, não, voltar atrás, ter medos e receios, assumir insegurança e incertezas é para fracos...
Na verdade, o que acontece é que nos cobramos e somos cobrados demais! “Temos’ que ter objetivos, ‘temos’ que traçar metas, ‘temos’ que nos destacar, fazer e acontecer... E o que queremos, o que sentimos onde fica?
Nessa ânsia da conquista, nos perdemos do nosso querer... Traçamos um caminho e vamos embora, enfrentando o que vier; afinal, só os fortes encontram seu lugar ao sol, não é assim que funciona?... Não deveria, mas é! Não importa o preço, o que interessa é seguir sempre em frente, mesmo se não se aviste um horizonte colorido lá adiante.
Isso é burrice... Precisamos de objetivos na vida, sim... Precisamos escolher um caminho para alcançá-los, sim... Precisamos determinar rotas e metas, sim... Mas não devemos nos esquecer que, às vezes, é preciso recuar para, mais tarde, seguir em com segurança... Esse tipo de atitude passa longe da covardia; ao contrário, só quem tem coragem é capaz de tomá-la...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Tem cada uma...

Eu ainda estou pasma... estarrecida... chapada!
Quando eu penso que nada mais no comportamento humano pode me surpreender eis que chega aos meus ouvidos um fato ocorrido aqui no prédio onde moro...
É inacreditável, inconcebível, inimaginável e mais todos os ‘in’ que se conhece... mas aconteceu.
Foi assim...
Como acontece há vários anos, em dezembro, uma caixinha toda enfeitada com bolinhas e laços natalinos foi deixada na portaria à disposição dos moradores que quisessem ‘colaborar’ com um dinheirinho extra para os funcionários.
Antes do Natal, a síndica reúne dois dos quatro funcionários, abre o lacre, conta o dinheiro, divide e distribui. Depois, a caixa é lacrada mais uma vez e volta para a portaria à espera das contribuições de última hora...
Até aí, tudo corria a contento... a surpresa veio mesmo no apagar de 2009.
Era a tarde do dia 31. Cumprindo o ritual na presença de dois ansiosos funcionários, a síndica rompeu o lacre e.... tchan... tchan... tchan... Estava depositado lá míseros R$ 1,15...
Isso mesmo... Um real e 15 centavos!!!!
Após o choque inicial e diante da decepção chorosa dos funcionários, a síndica se deu ao trabalho de checar com alguns moradores quem havia contribuído e com quanto... E aí veio a surpresa: a caixinha de Ano Novo recebera depósitos que totalizavam R$ 210,00... ou melhor R$ 211,15 (apesar de ninguém assumir os R$ 1,15)...
Conclusão: assaltaram a caixinha dos funcionários... e foi alguém habilidoso porque o lacre estava intato...
Penalizada diante da frustração dos funcionários, a síndica providenciou e distribuiu o valor estimado... Um dinheiro que deveria ter proporcionado euforia e que reforçaria a festa de entrada de um novo ano, mas que deixou mesmo foi um gosto amargo de decepção... Uma vergonha proporcionada por alguém que – o que é pior - não se sabe quem é! Há suspeitas, mas não há provas... E paira um clima estranho no ar...
Agora, cá entre nós... outro fato que merece registro são as moedinhas... Que fim de mundo ‘contribuir’ com a caixinha dos funcionários depositando R$ 1,15! É muita falta de respeito, não é não?
Enfim... assim caminha a ‘desumanidade’...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Um convite à emoção

Hoje acordei muito cedo, com vontade de viajar. De sair da rotina massacrante e me aventurar por paragens desconhecidas. Não é possível, pelo menos no momento. Então decidi pegar carona na aventura alheia. Fui visitar a página do ‘Projeto Mar Sem Fim’, do meu amigo João. Desde que ele começou a postar seu diário de bordo da viagem à Antártica, eu acompanho... e viajo junto.
O texto do João tem esse poder. É descritivo na medida exata para levar o leitor a visualizar cada uma das paisagens que desfilam em sua narração e a sentir as diferentes emoções que transbordam em cada parágrafo. Euforia, deslumbramento, um pouco de irritação e, às vezes, até uma ponta de medo.
Eu me transporto... embarco e vivencio cada momento. ‘Ouço’ o vento, as ondas batendo forte no casco, a algazarra das aves, a respiração das baleias... ‘Vejo’ os lugares, os mais longínquos e inimagináveis...
Hoje, sabadão com tempo ainda indefinido, meio nublado com o sol querendo sair, me deliciei com a passagem pelas Ilhas Argentinas. Em um trecho, João conta que a paisagem é tão inusitada e deslumbrante que fica difícil saber para onde olhar. E que, nessa época do ano, não há noite por lá... Depois veio Cuverville Islands até chegar à ilha Trinity... O Mar Sem Fim seguia a sua rota, e eu fui junto...
É uma viagem de aventura, que emociona e deixa uma sensação gostosa e duradoura. Mal posso esperar pelos documentários que serão exibidos pela Band (espero que em horário decente porque o material deve ser de arrepiar).
Me revigorei... a rotina não incomoda mais, fiz minha viagem imaginária e, no momento, me basta.
Faça o mesmo... Viaje através de um excelente texto, recheado de informação e, especialmente emoção. Visite o site do Mar Sem Fim e embarque nessa aventura. Garanto que vale a pena.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Uma nova década...

Estamos em 2010... Um novo ano, uma nova década...
Década que começa marcada pela fúria da mãe Natureza... Fúria compreensível! Há tempos ela vem nos mandando recados, pedindo silenciosamente um pouco mais de cuidado com suas crias. E nós, humanos, do alto de nossa arrogância racional, ignoramos, deixamos para lá os avisos achando que somos mais ‘poderosos’ do que ela...
Aí, quando ela mostra sua face mais sombria, lamentamos... E, atônitos, corremos em busca das desculpas de sempre. E os clichês se repetem. Assumir a responsabilidade, ninguém quer... E cada um de nós carrega um pouco dessa responsabilidade. O que varia é tamanho da carga. Mas a culpa é coletiva, sem exceção.
É uma questão de consciência individual. De respeito, de cidadania... É possível amenizar a situação mudando atitudes rotineiras. São coisas pequenas, simples como o desligar uma lâmpada quando a luz natural ainda brilha forte; trocar o carro por uma caminhada até a padaria, a farmácia, o supermercado, a praia... optar pelo transporte público sempre que possível; não vou sugerir aqui a troca efetiva porque conheço bem os ‘problemas’ dos ônibus, trens e metrô – são lotados demais, caros demais (na capital paulista uma passagem de ônibus custa R$ 2,70!!!!!), sujos, desconfortáveis, demorados, incertos, etc... Mas, dá pra deixar o carro na garagem de vez em quando... Consumir produtos que usam menos embalagens descartáveis; separar o lixo para a reciclagem; racionalizar o uso da água, etc, etc, etc... Eu sei, tá todo mundo cansado de ouvir essas ‘ladainhas’... não são novidades, eu não descobri a roda!... Mas, e aí? Você faz a sua parte?... Efetivamente?... Ou, de vez em quando, sem querer ou perceber, joga na rua um papel de bala?... Afinal, as ruas são tão sujas, que um papelzinho a mais nem vai fazer diferença... Faz, se todos pensarem dessa maneira... Os bueiros, córregos e rios entupidos de lixo descartado nas ruas das grandes cidades são prova disso!...
Falta respeito pelo coletivo, pelo outro, pelo todo... Em uma era em que o ‘ter’ é mais importante do que o ‘ser’, em que o individualismo impera, não é de se estranhar...
Mas é hora de acordar... de se importar... de fazer alguma coisa... A velha máxima ‘se cada um fizer a sua parte’ se aplica direitinho aqui...
Ninguém precisa abrir mão do conforto conquistado e voltar a viver na era das trevas, mas que tal lembrar que milhares de pessoas não têm acesso à água potável antes de ‘varrer’ a calçada com uma mangueira... Muita, mas muita gente AINDA faz isso!
Esquecemos, por exemplo, que somos visitantes neste Planeta e que ele não é ‘nosso’... Esquecemos também que não somos os únicos a desfrutar dessa morada... E sem essa consciência, apenas desfrutamos das maravilhas generosamente oferecidas... e vamos deixando um rastro de destruição, sem nos importarmos com os outros ‘habitantes’, tidos como irracionais...
Aí, quando a mãe Natureza se enfurece, mostra a sua força e, mais uma vez, tenta nos fazer acordar, mostrar nossos erros e avisar que a sua paciência está perto do limite... nós continuamos apenas ‘lamentando’...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Um bicho de 7 cabeças...

Não adianta tentar fugir... ele está presente em tudo que é canto e ainda vai pegar você... Ás vezes aparece ostensivamente, em outras, passa desapercebido (é que você se acostumou com a sua aparência e nem se deu conta... mas ele está lá, pode crer!). Não tem saída, não adianta, é a ‘praga’ do nosso tempo...
É o bicho de 7 cabeças do século 21... O pior: ele não amedronta os mais novos; mas provoca terror, arrepios, calafrios nos mais velhos... Por isso, tenha sempre uma criança por perto para te ajudar a ‘domá-lo’; ah, quanto menos idade, melhor.
O ‘bicho’ em questão é a tal da Tecnologia... substantivo feminino mas aqui rotulada no masculino por que ‘bicha de 7 cabeças’ não ia pegar bem.
Como não pega bem, também, confessar abertamente nossa ignorância total no assunto... O melhor, nesse caso, é fazer cara de quem entende, mostrar muita naturalidade e mudar rapidinho o rumo da prosa, de preferência falar de coisas banais, como o tempo, por exemplo. Use essa tática para não ser taxado de ‘desatualizado(a)’, outra praga do século!
E sabe o que é pior? É que o tal do bicho, além das 7 cabeças, deve ter uma centena de pernas... já repararam como ele anda rápido? Nem bem a gente se acostuma com uma de suas facetas e já tem um montão de novidades pra atormentar a nossa cabeça... Praga moderna!
Se a gente aciona a tecla da memória e acessa o passado (recente, viu?) percebe que a vida era bem mais simples e fácil. Usávamos a tal da tecnologia com naturalidade, os aparelhos tinham os seus botões básicos, do tipo liga/desliga por exemplo, e a gente nem precisava saber como a coisa funcionava.
Quer um exemplo? A TV... Era simples... A gente escolhia o aparelho, comprava, levava pra casa e instalava no melhor lugar da sala. Aí conectava a antena, fazia os ajustes necessários até conseguir a imagem ideal e... pronto. Era só girar um botão e o aparelho exibia o seu programa preferido. Aí, quando queria mudar de canal, um total de 6 ou 7, era só deixar o conforto da poltrona e caminhar solenemente para girar o ‘outro’ botão que mudava de estação... Esses aparelhos tinham ainda umas rodinhas, tímidas e escondidas, que permitiam adequar o brilho, o contraste e a nitidez ao gosto do freguês... era melhor deixar elas do jeitinho que vieram de fábrica!... Foi o auge da fidelidade do espectador...
Foram anos nessa rotina... Desde as TVs que transmitiam em preto e branco até as que exibiam as imagens coloridas... Até que, de uma hora pra outra surgiu o controle remoto... A glória dos acomodados... A partir de então, o aparelho já ficava em stand by, ligava e desligava, fazia todos os ajustes através de meia dúzia de botõezinhos e, o que é pior, mudava de canal à distância... Um terror que começava a assombrar os dirigentes das TVs... Com o tal do controle o espectador tinha uma ‘arma’ na mão... O programa tá chato, tudo bem basta mudar de canal, sem sair do lugar... Surgia então uma palavrinha que eu, particularmente, detesto: zapear... Cá entre nós, existe coisa pior do que ficar em uma sala junto com alguém que confisca o controle e não para de mudar de canal?... Por isso, a necessidade de mais de um aparelho por residência. Essa providência é capaz, inclusive de evitar separações, vai por mim...
Mas, voltando à tecnologia televisiva... nos adaptamos ao controle e hoje não sabemos nem explicar como era a vida sem ele... Mas, como o ‘bicho’ anda... Logo chegou a TV a cabo... A maravilha das maravilhas... Dezenas de canais à disposição; liberdade de escolha, filmes, seriados, documentários, esportes, desenhos, notícias 24 horas por dia (tá certo que tem que passar por um bom filtro)... tudo ali, na palma da mão... Sim, porque agora tem, também, o controle do decodificador da TV à cabo que, nos primeiros dias a gente usa meio timidamente só pra ligar/desligar e ... zapear (se ainda não havia a possibilidade de separação, com o cabo é divórcio na certa!). A timidez inicial passa e com o tempo, mais ousados passamos a explorar os outros tantos ‘botõezinhos’ à disposição... Aí, felizes da vida, aproveitamos o intervalo pra acionar a grade de programação de outro canal, sem sair do que estamos vendo, descobrimos que temos acesso à informações sobre o filme que pode interessar, e por aí vai. Nos sentimos orgulhosos porque dominamos o controle, na marra... Manual explicativo não tem (ainda bem, né?)...
E a vida segue tranquila e sem sobressaltos, afinal já somos amigos de infância dos dois controles remotos (não esqueça que a TV tem o seu exclusivo). Até que... tchan tchan tchan... o ‘bicho’ dá as caras de novo e pinta o tal do ‘home theater’... Som double stereo com 6 caixas acústicas, conexão com aparelho de DVD, de vídeo, de som e, é claro, um controle remoto – imenso... Não, vocês não imaginam a quantidade de botões que essa coisa tem... Só de vídeo, são 3, outro para TV, mais um para DVD e por aí vai... Tentei o manual, me dei mal... E, como todos os aparelhos estão interligados... para o simples ato de ver TV é preciso usar 3 controles remotos: da TV, do decodificador e do home (esse ainda um assustador desconhecido para mim)... ainda bem que fica em stand by e ‘estacionado’ na função específica... E reza pra não apertar, sem querer um botão errado... Se não tiver um Diogo por perto – o filho mais novo da minha amiga Claudinha, pra te socorrer e solucionar o ‘problema’, esquece a TV e vá ouvir rádio... ele ainda tem apenas o liga/desliga e o sintonizador de estação...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A pior idade

Idade é um troço muito esquisito. E relativo... Quando a gente é criança, qualquer pessoa maior do que nós, é grande, não importa a idade. Que o digam as garotas e garotos que esticam de uma hora para outra e não se encaixam mais nas brincadeiras com velha turminha porque é grande; e nem no grupo dos mais velhos, que os consideram ‘criança demais’. Aí começam as frustrações em relação à tal da idade...
Na adolescência, quem tem 13 inventa que já ocupa a faixa dos 15; quem atingiu esse patamar, sonha com a independência dos 18... e quem chegou lá espera com ansiedade os 21... Daí pra frente a coisa pega!
Na faixa dos 20 começam a pintar as responsabilidades... De uma hora para outra, a gente tem que decidir o que vai fazer com o que se rotulava de ‘vida inteira pela frente’ e escolher o que você vai ser, já que cresceu. Não vale mais flutuar entre as mais diversas profissões no período de uma semana. Tem que optar, escolher, decidir... Aí, a gente escolhe, meio na sorte; salvo aqueles casos em que a pessoa nasce com um dom natural para seguir uma determinada profissão, caso muito comum com médicos. De resto, é sacar a matéria que mais detesta (para muitos, a pobre da matemática!!!) e descartar todas as profissões que fazem uso dela. Depois, descobrir as maiores afinidades e escolher o que mais se encaixa em seu perfil (ah!... essa palavrinha simples que até então significava apenas que você saiu de lado em uma foto, ganha significado assustador daqui pra frente). Simples assim!
E a gente escolhe... estuda, aprende, compreende, vislumbra um futuro brilhante e antes mesmo de se formar vai à luta em busca de um estágio e... cai em uma selva impiedosa chamada de ‘mercado de trabalho’.
No começo é tudo lindo. Então começamos a descobrir que, em boa parte das vezes, a teoria na prática é outra e que há gente de todo o tipo em qualquer lugar onde se vá trabalhar. Os amigos de fachada (aqueles que aparentemente estão te ajudando a se adaptar mas que, na verdade, estão mesmo é tentando puxar o seu tapete com um sorriso estampado no rosto – esse tipo é muito comum!), os sacanas assumidos (mais fáceis de lidar), os medíocres (que invejam a sua criatividade e só sossegam quando se vêm livres de você) e, é claro, os amigos de verdade que continuam na caderneta de telefones (ou lista de email) pro resto da vida, mesmo quando passam anos sem que a gente troque ao menos um alô.
No começo pode parecer um pouco assustador, mas com o tempo a gente se adapta e encara tudo isso com naturalidade; é parte do que chamamos de experiência profissional. E vamos acumulando essa tal experiência na esperança de que lá na frente ela seja de grande valia (é mais inteligente e prático tentar acumular dinheiro, vai por mim).
Na casa dos 30, a bagagem já é maior e há um pouco mais de respeito pelo seu trabalho, afinal você ‘sobreviveu’ à prova de fogo que é o início de carreira. Pode comemorar porque é uma década de realizações... Estamos ‘construindo’ o nosso futuro... Tudo caminha como o planejado. Experientes e respeitados entramos triunfantes nos 40. Aproveitem, e muito os próximos 10 anos... Faça o possível e o impossível (sem perder a integridade é claro) para conquistar uma estabilidade porque, ao romper a casa dos 50, profissionalmente, você pode entrar no verdadeiro ‘inferno astral’, ou seja, o período que eu chamo de ‘pior idade’...
Concordem ou não, os fatos falam por si. Até os 49 anos, 11 meses e 29 dias, somos rotulados de ‘experientes’; completamos 50, estamos velhos, ultrapassados, desatualizados... Se ficar algum tempinho fora do mercado, então, aí é que a coisa desanda mesmo...
Pra conseguir um emprego, só se tiver um Q.I. elevadíssimo; o famoso ‘quem indica’, e mesmo assim, olhe lá... Se tentar enviar currículo, entrar em ‘bancos de talentos’ pra conseguir ao menos uma oportunidade de entrevista, as chances são menores ainda... A tal da idade pesa na seleção... Omitir esse dado ou corrigir para menos o ano do nascimento é uma tentação... afinal, a gente sabe que se garante em uma entrevista... Quer dizer... se o entrevistador for do ramo. Por que hoje em dia é mais comum do que se imagina, a seleção de pessoal ser feita por alguém que não tem a menor idéia de como funciona o departamento onde você pretende trabalhar... Ah... e tem mais, se você não conhece os softwares mais modernos do mercado (mesmo que não tenha nada a ver com a sua profissão), se não fizer parte de todas as redes sociais e não tiver – no mínimo um blog (a razão de ser deste espaço aqui é uma tentativa), é descartado... Tem que, pelo menos saber que eles existem e para o que servem... é básico para quem procura uma recolocação. E mais, no caso de uma entrevista com aquele que será o seu chefe, torça para que o fulano(a) não seja mais novo do que você... Se for, pode dar adeus à vaga... ele(a) vai te dispensar, por mais qualificado que seja, por que tem medo de perder o posto para você (memo que você deixe claro que seu único interesse é trabalhar, quietinho, no seu cantinho solitário)...
Não tem jeito, você é cinqüentão e, mesmo que não aparente a idade real, não serve mais... Nem se aposentar não pode. Por mais que carregue nas costas 30 anos de trabalho, se quiser garantir um mínimo para a sobrevivência tem que esperar a idade avançar mais um pouco. Para a previdência, você ainda tem muito a oferecer ao mercado... Aposentadoria, só depois dos 60... Só esqueceram de avisar aos empregadores...
Não temos emprego, não temos aposentadoria. Somos velhos para o primeiro e moço para a segunda... E estamos a alguns anos de conquistar os poucos privilégios tardiamente concedidos à chamada ‘melhor idade’ (detesto o termo terceira idade, acho depreciativo)... ônibus de graça, assentos reservado (quando os mais jovens respeitam as indicações, claro), prioridade de atendimento (o que, necessariamente não significa filas mais rápidas; ao contrário, em alguns bancos a fila dos ‘idosos’ é sempre mais demorada)...
E então? É ou não é a pior idade?...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Coisa de Menina

O nome desse blog é uma homenagem a um amigo, o Flávio, com quem eu briguei feio um dia e me arrependi em todos os subsequentes até conseguir pedir desculpas. Acho que ele aceitou por que é uma pessoa muito melhor do que eu...
É dele a frase 'isso é coisa de menina!', dita uns cem números de vezes no período em que trabalhamos juntos na Eldorado FM. Na época, as 'meninas' dominavam a sala. Eu era produtora e editora, a Claudinha dividia com ele a programação musical da rádio, a Bia secretariava o departamento e a Patrícia coordenava todo mundo...
E, virava e mexia, ouvíamos o Flávio dizendo 'isso é coisa de menina'... para quase tudo... Não era reclamação, era diversão... E o 'bordão' ficou na minha cabeça...
Aí, quando decidi publicar esse blog, depois de inúmeras tentativas para achar um título interessante e divertido, lembrei da máxima do Flávio... e taí... espero que não haja problema de 'direito autoral'!